Moto-contínuo

MOTO-CONTÍNUO

Todos os dias tento saber quem sou, mas todos os dias acordo uma nova pessoa.
Essa nova pessoa sonha o mesmo amor que a pessoa que ficou dormindo dentro de mim.

Todos os dias tento saber quando ficar, mas todos os dias espero uma nova aventura.
Essa nova aventura é um risco no vento a soprar no mesmo peito que quis ficar pra trás.

Todos os dias tento saber quando partir, mas todos os dias permaneço por um novo motivo.
Esse novo motivo se aconchega nas coisas do ninho com a mesma gana que motivava a voar.

Todos os dias tento saber pra onde vou, mas todos os dias encaro uma nova paisagem.
Essa nova paisagem é o horizonte pousado na íris de quem sonhava o amor e não piscou.




Foto e poema: Esther Alcântara

3 comentários:

Eliete disse...

Viver um dia por vez... e cada amanhecer, uma nova (mesma) pessoa... Hoje, vi palmeiras assim, no show do João Bosco com orquestra, ao ar livre... só que as minhas, eram diferentes (um pouco) - foi a primeira vez que vi árvores feito palmeiras com flores amarelas...

ventosnaprimavera disse...

Lindo texto amiga.parabéns.Arnoldo Pimentel

Dr Rafael Loch Batista disse...

O poema é lindo...
Lindo pela identificação que proporciona em quem lê.
Pelo riso que nutre em quem se percebe em palavras escritas...
Ainda que por terceiros...
Ainda que por alguém que não se conheça...
Mas que faz aflorar aquele sentimento de mutuidade, de continuidade, de entendimento...
Porque os sentimentos são contantes e uniformes...
Diferentes são as percepções...

Quero conhecer mais da sua obra.
Um abraço,
Rafael Loch