E foi quando o seu abraço
acordou o meu cansaço
que descobri a beleza 
de transpirar pelos seus poros
enquanto você inaugurava
a minha delicadeza.

(Esther Alcântara - 16/6/13)




Faíscas de sonho
no olhar sensível
a espera de um lume
que sangre o céu
com esporas de fogo

Quem cavalga a pelo
na trilha da poesia
domina o caos
quando pega carona
no prisma do ocaso

(Esther Alcântara/10 jun. 2013)

(Foto: Regina Pereira)

SOL EM MIM

SOL EM MIM

Meu coração andante 
só se alegrou em sol
quando caiu em si 

(Esther Alcântara)




Noite

NOITE

A noite não cai
 apenas se deita 
em nossa face lunar
e se ajeita
como quem se recolhe

Sombreia nosso lume
até que o dia se ajoelhe
e se desdobre 
em ouro e cobre
sua vez de brincar.

(Esther Alcântara)

Letras de luz


LETRAS DE LUZ

Quero um papel
que seja todo azul
que seja todo céu

Nele vou desenhar
letras de luz
poesia de estrelar

Acho que posso
pelo menos pretender
que a vida seja mais
que um mero esboço.

(Esther Alcântara)

POIESIS


POIESIS


Dois meses
relação embrionária
em tese

em fato
respiração extraordinária
poiesis

Esther Alcântara
3 jan, 2012

Ponto final


Enquanto quando


ENQUANTO QUANDO

Esquanto dormia
eu beliscava teus sonhos
Enquanto dormia
você despertava meus sonhos

Dormindo você ouvia
eu sabia
acordes que eu nem intuía

Quando acordava
você cantava pra mim
Quando acordava
eu bailava em seu jardim

Esther Alcântara
1º jan. 13
Imagem: Gregory Coubert

Zigue-zague

Foto: Antônia...
"Vida feita de água, de cheiro de chuva, de terra molhada, de alegrias e encantamentos."


Bordado Matizes Dumont.

ZIGUE-ZAGUE

 Aprendi
no atelier da vida
a cerzir o amor
porto de partida
em ponto apertado
nas linhas do sorriso

Desviei do boicote
impedi o sobressalto
ousei no decote 
caprichei no salto
e rendei-me toda 
pra não me render

No arremate
cosi num só bordado
ocaso e madrugada
e o amor desenhado
em zigue-zague
foi porto de chegada


Poema: Esther Alcântara 
(18/12/12)

Foto: Matizes Dumont
(www.facebook.com/Matizes-Dumont)

Dedico este poema à minha mãe, em memória e saudade, e a Werner Viana, meu amor. 


VEIAS E VIGAS

Não julguem meus ais
se dor ou luxúria
luxo ou torpor

São sempre bons sinais!

Minha mente insana
abriga um coração caduco
e com ele briga

Corre água nos beirais!

Mas há vigas
solidez edificada
nas veias que me percorrem.


Esther Alcântara


TRIBUTO

Tenho usado rímel
na gestação
de lágrimas negras

Fala em mim feminino medo
da liquidez cristalina
da alegria

Esse é meu tributo
meio mascarado
ao verossímil


Esther Alcântara

Vós em Nós



VÓZ EM NÓS


Voz

que voa
Volúvel
Volátil
fugaz


Ás de ouro

flor do dia
cor da noite


Oi

em grito sem voz
canto sem caos
e  nós do bem na
voz


Esther Alcântara




Às amigas Simone Knoll e Anna Tréa

Sei lá



Veio sem pressa de partir
essa virtude de sorrir
essa vontade de acolher 
a vida como graça
colher a graça de viver

Sei lá se a gente escolhe
entra come bebe vive
sei lá o que sacia
sei lá onde é a casa do querer

Veio sem nem bater na porta
sem medo, sem pedir licença
causou a moinhos de vento
e entre redemoinhos
 ousou me tirar pra dançar

sei lá se você sabe
onde como tudo quando
sei lá se eu sei
sei lá se isso é da conta do saber

Esther Alcântara
09 jun. 2012

WE



Quando ele chegou em casa
do nada e querendo tudo
a casa era só coração
mas um sussurro era grito
sopro em dente-de-leão.

Veio com traços de arte
cores de amor na paleta
aquarelou restos e caos
encheu de cor e de corpo
o que em mim só contorno.

De urtigas se desviou
a semear primaveras
em todos os vasos da casa 
fez pulsar nova florada
no inverno que eu habitava.

(Esther Alcântara)


A Werner Viana

Tempo sem tempo




Tempo 
que tanto aprecio
que tanto preciso
pras coisas profanas
pras coisas sagradas
pras ditas normais
praquelas insanas
de dias de guerra
de dias de paz
de risos e ais
pras coisas
 humanas.

Tempo 
que tanto atravesso
que tanto improviso
cantando em versos
em crônica inversa
me sonho encoberto
no breu do teu lume
enquanto converso
com tuas arestas
pra este acorde 
me empresta 
um repente.


Esther Alcântara

DIVAGAÇÃO


De vagar
delineia-se a idade
na ânsia de lograr
em sua errância
o tempo

Devagar
dissolve-se o chocolate
na boca que saliva
e bem degusta
o tempo


Esther Alcântara

MEUS DIAS




MEUS DIAS

Nos dedos
nos vãos dos dedos
já conto os dias
que nunca me vazam

não me bastam 
os dias idos, vividos
nem há dedos
que deles deem conta

os que hão de vir
desejo com força
libertos dos tantos vãos
dos medos

Esther Alcântara
22/04/2012

Cabeça feita


CABEÇA FEITA

Pamonha
maconha
churrasquinho

Tantas coisas
no meu caminho
Tantos cheiros
no meu cabelo

(Esther AlcântaraO)
18/04/12


TOCANTINAR


Em Tocantins
correr pelas colinas
adentrar matas ciliares
e os cílios abrir
dos olhos d'água

Em Tocantins
viajar pelas veredas
onde o ouro é lapidado
por mãos tecelãs
capim dourado

Em Tocantins
caminhar pelo cerrado
de babaçus, buritis,
 onde dorme o fogo
 que acorda flor

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Esther Alcântara
(2 jan. 2012)


Aos queridos amigos e parceiros Irineu de Palmira e Silvana Bárbara, que me apresentaram essa terra linda.

TOCANTINS

TOCANTINS


Tocantins
tocam em mim tuas águas
teus raios de luz.
Arco-baleno a bailar
na cachoeira
acho que vou mergulhar.

Bem te quis
terra de mil colibris
caminho do sol.
Flor do cerrado a brincar
cachos de estrelas
acho que vou te cantar.

Esther Alcântara
(30 dez. 2011)

(poema musicado por Esther Alcântara e Werner Viana)

LIVROS



Estar entre livros é 
se perder
num labirinto que liberta


Se um leitor se encabula 
no breu das letras
é errante em seus sentidos

Se um leitor descortina 
as entrelinhas
é peregrino do pensamento


Estar entre livros é 
aventura, relento 
comportas abertas!


(Esther Alcântara)
PATCHWORK



Sem pressa
a gente junta os retalhos
e recomeça

Se encara
seja na chita ou na seda
e não para

Se a linha
entre meus dedos avança
é minha!


Sem medo
a gente renova a trama 
o enredo

Se empenha
ajeita bem os detalhes
e redesenha

Se a vida
merece uma nova estampa
é colorida!


(Esther Alcântara)
ÁRVORE DA FELICIDADE


A felicidade arvorece
sob a luz da minha varanda 
e dia a dia a mim se inclina 
 como se me chamar quisesse. 

Será que tenta me avisar
que o sol tem lambido mais cedo
o orvalho das réstias de luz
e anseia por minhas retinas?

Não nasci para o alvorecer
nem aprendo só pelo amor
mas meus olhos ainda de véspera
se abrem a mais esse arvorecer.

(Esther Alcântara)


ESPERA

O fogo aceso
a porta aberta
a casa certa

o vinho
o pão
o ninho

O corpo ileso
a mente inquieta
o amor alerta

(Esther Alcântara)


FRIO

É novembro
e esse frio dessituado
no tempo
afugenta o calor
de dentro
congela o verso
avesso desestimulado

argumenta com covardia
com meus dias vãos
com os vãos dos meus dias
sem qualquer clarão

É novembro
e ainda nem lembro
do verão
voz do tempo 
esquecida
em minha voz
pouco aquecida.

(Esther Alcântara)

Semáforo

SEMÁFORO



Observo teus sinais
verde, vermelho, amarelo
teu código paralelo

Absorvo teu inverso
no viés da tua voz
paro o trânsito pra nós

Absolvo teus defeitos
crio efeito dégradé
poesia sem ter porquê

Oriento-te em degraus
mas perco-me na tua rua
quando o verde se insinua.

Poema: Esther Alcântara
Imagem: Gregório Gruber
RASANTE


Parei num estacionamento
a céu aberto sem estrelas
sujeita a toda intempérie
nada sujeita de mim


Tentei dar rodas aos pés
abraçar o autoabraço
à mercê da ventania
sem saber velejar


Conheci a tirania
o osso exposto
a carne em transe
e o coração
ainda dá rasante

(Esther Alcântara)
BEL-PRAZER


Hoje eu acordei
só por meu bel-prazer
e nada quis doer

meu corpo alado
quis o corpo teu 
domesticado

minh'alma crua
viu a alma tua
já destilada

nenhum gole chorei
da velha nostalgia,
valha-me a luz do dia!

Esther Alcântara
05/05/2011

PRA COLORIR

Se você só me olhar
como a um molde vazado
planeje me colorir
em vez de me atravessar
agenda em dia nublado


Por favor, use hidrocor
até  minha pele cobrir
carregue na cor da boca
retoque só com amor
tinta de fazer sorrir


Se você só noite achar
mas preenchê-la de lua
vai ter a  minha beleza
da cor que souber pintar
matiz da sua nobreza


Esther Alcântara
Imagem: Google