CAFÉ COM FRUTAS
Tangerina, goiaba, pitanga, jabuticaba, manga, carambola, cajamanga... Caramba, cajamanga!!! Cheguei a sentir o gosto, o cheiro, a memória na ponta língua a aguçar meu adormecido paladar de criança crescida.
Estávamos em um charmoso café, no centro de uma metrópole, e a grande surpresa era o assunto da mesa ao lado, remetendo-me para tão longe dali e para paisagens tão verdes.
Gosto da vida urbana, gosto desta cidade... Mas as viagens do imaginário quando menos esperamos são as melhores, principalmente quando conseguimos vivenciá-las com o corpo todo e com todos os sentidos.
Minha amiga havia ido ao banheiro enquanto aguardávamos o café. Sua companhia era agradável, mas talvez se eu não tivesse um momentinho a sós comigo mesma não abriria os ouvidos para aquela melodia de pomar.
Pensei na infância, mas pensei também no presente e nos dias por vir. Pensei nas frutas que como e nas que não como. Pensei no meu bonsai de pitanga que nunca foi pra frente. Restaurei a velha casa com quintal que sempre habitou meus sonhos e cheguei a sentir o cheiro de flor de laranjeira no hálito das manhãs dos meus novos dias. Em segundos, uma deliciosa viagem pelo tempo e pelos tantos cantos da terra que eu bem sei que ainda posso semear.
Quando o café foi servido e a minha amiga retornou à mesa, o café já era mais especial e a amiga mais querida, pois meus olhos de viajante solitária haviam se lembrado que a paleta e o pincel estavam em minhas mãos, para dar a tudo o colorido que bem quisesse.

Esther Alcântara


Um comentário:

Diz disse...

É verdade, Esther.
Escolhemos as cores da palheta.
bj Laura