AMOR EM CONSERVA

Estava ali
bem na minha frente
pichado no muro
das minhas pálpebras
escuras e escusas
você apostando
em nosso vício
fora de validade
eu franzindo os vincos
das têmporas
passados a ferro quente
pronta pra dizer
que não tem mais tempero
na salada de nós
que o tempo dissolveu
as formas delicadas
do teso amor
já estilhaços após
tantos nós
nos cabelos
e não restou delícia
na embalagem do fim
frasco de guardar
com fome
pra depois gozar
fresco de viver
amor em conserva

Esther Alcântara

Poema inspirado na pintura homônima de Monica Ancapi Art.
A imagem pode conter: atividades ao ar livre

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